Música - Pirata da areia

Atualizado: Jun 8


Música e desenho sempre foram as minhas duas grandes paixões! Desde

que eu era um pequeno verme, já sabia que minha profissão estaria

relacionada com alguma dessas áreas. Acontece que a gente não pode

“tetudo” e uma dessas facetas haveria de ser extinta… Não tão fácil! Por

muito tempo achei que eu realmente devesse abolir meu lado musical por não

ter muito tempo para desenvolvê-lo e me dedicar como gostaria,

principalmente porque, pelos rumos da vida, a parte relacionada ao desenho

já dominava minha vida profissional. Bom, obviamente eu não larguei tudo


pra formar uma banda ou pra tocar por aí em troca de esmolas, mesmo

porque todas as minhas tentativas de formar banda não deram muito certo.

Sempre tive um gosto diferente dos meus companheiros e sempre meu foco

foi contar minhas próprias histórias e compor minhas próprias músicas. Acho

que é difícil quando a equipe não está nessa mesma sintonia. Agora eu

finalmente caí na real e estou vendo que não preciso transformar tudo em

trabalho e posso sim me dedicar à música como um dos meus mais amados

prazeres. Então tomei a decisão de investir tempo (e dinheiro) para registrar

minhas composições, voltar a escrever, tocar e compartilhar com as pessoas

sem a pretensão de ser algo grandioso para os outros, mas grandioso para

mim. Sendo assim, apresento minha primeira gravação: Pirata da areia!







--


Pirata da areia


Eu sou o pirata da areia

E eu navego por horas,

Sem um caminho traçado

Por algo que valha a demora!


Quanto mais longa a viagem

Mais é difícil esquecer,

Deixar todos os bons momentos

Melhores virão pra viver!


Mas encontrar tantas terras maravilhosas

Me faz pensar

Se vale a pena ancorar todas as minhas riquezas

Em um só lugar!


Eu sou o pirata da areia

E eu navego por horas,

Sem um caminho traçado

Por algo que valha a demora!


É navegando na areia

Remando com dificuldade

Que a luz de um pequeno acerto

Brilha pela eternidade!


Mas encontrar tantas terras maravilhosas

Me faz pensar

Se vale a pena ancorar todas as minhas riquezas

Em um só lugar!


Eu encontrei um lugar para ficar

Meu tesouro são nossas memórias

O "x" do mapa, vai te marcar

E juntos teremos histórias!


Nesse lugar que eu encontrei para ficar

Em qualquer chão o que é bom floreia

Tudo na praia, vai acabar

E juntos voltaremos pra areia


Então encontrar tantas terras maravilhosas

Me fez pensar

Valeu a pena ancorar todas as minhas riquezas

Em um só lugar!


--


A história dessa música é curiosa, pois ela demorou 10 anos pra ser escrita!

Eu comecei a escrever o rascunho da música por volta dos meus 16 anos de

idade. Queria falar sobre uma pessoa fictícia que adorava novas experiências

e aventuras, mas, ao mesmo tempo, queria encontrar um objetivo final. A

questão é que a tal pessoa fictícia não tinha tanta certeza assim de que

realmente gostava de ser um explorador ou se apenas estava se enganando

por causa de algum tipo de medo ou incerteza pessoal. Era uma música

sobre dúvida. Alguns anos se passaram e levei a música já com a melodia

pronta para minha banda da época. Até chegamos a tocá-la juntos algumas

vezes. Um detalhe engraçado é que eu passei a música toda pro plural (Nós

somos os piratas da areia, etc.) por conta de estar em banda e achar que

poderia se tornar um tema, um apelido pra banda ou algo do tipo… grande

idiota! Como disse, os objetivos da banda eram diferentes e acabei saindo. A

música ficou adormecida por muito tempo, pois eu só tocava no violão às

vezes e nada mais. (Na verdade ela deu uma acordadinha quando levei pra

aula de guitarra que eu fazia, com o Raphael Olmos do Kamala, pra gravar

uma demo.)

Achei que seria o fim da história. Dez anos depois, nos meus 26 anos, algo

aconteceu. Eu já estava noivo da minha esposa, a Ana Clara, e estava

querendo muito escrever uma música pra ela. O problema é que eu não

estava satisfeito com nenhuma melodia e nenhuma frase que criava, pois

queria algo grandioso e estava muito exigente. Fiquei quebrando a cabeça

por horas e nada. Resolvi então tocar a música do pirata no violão pra dar

uma relembrada e PUFFFFF. Num momento de epifania eu criei toda a letra

do meio pro final, que não existia na versão inicial, passei tudo de volta pro

singular e notei que aquela pessoa fictícia da letra na verdade era eu mesmo.

Percebi que a música sempre foi sobre mim e só esteve incompleta por tanto

tempo porque me faltavam ainda muitas experiências que até então não

havia tido e ainda me faltava o que eu realmente estava buscando, uma terra

maravilhosa onde eu pudesse ancorar todas as minhas riquezas. Me faltava

minha tão amada esposa, a Ana Clara!


Pra fechar essa história com chave de ouro, no dia do nosso casamento

cantamos a música numa versão acústica na belíssima voz da Ana Clara, e

foi simplesmente sensacional! Foi incrível ver tantas pessoas queridas

emocionadas e vibrando com a música, inclusive o pessoal da minha antiga

banda!



Ilustração feita para a música:









© 2020 Alexandre Otranto Esquitini.

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