Música - Volta de Cuba








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Volta de Cuba


Você me disse

Pra eu não me preocupar

Que era só um mês e

Não demoraria pra passar


Mas não consigo

Um jeito pra falar

Lá não tem Streaming

Internet ou sinal de celular


Volta de Cuba e vem pra cá

Deixa o charuto pra lá

Sei que o Che não vai gostar

Volta pra gente gastar


Ouvi dizer

Que a saúde é a melhor

Mas ficar sem Hollywood

E videogame é muito pior


Mas não me preocupo

Pois sei que vai mudar

Quando você voltar

Tenho certeza em quem irá votar


Volta de Cuba e vem pra cá

Deixa o charuto pra lá

Sei que o Che não vai gostar

Volta pra gente gastar


Volta pra gente gastar!


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Essa é a música mais improvável que "compus" até agora. As aspas estão ali porque na absurda realidade essa música não foi composta, mas sim, expelida do fundo do meu cérebro. Minha esposa Ana Clara, namorada na época, foi para Cuba estudar o sistema público de saúde e como já era previsto mal conseguíamos nos falar. Pelo que ela relata, era necessário embarcar numa odisseia melindrosa para conseguir encontrar sinal de internet para finalmente conversarmos por míseros cinco minutos. Do lado de cá, do nosso amado Brasil, meu sinal de internet era quase infinito, mas de nada adiantava as 13666 mensagens que enviava sendo que eu não obteria respostas tão cedo. Andar de um lado para o outro com suadeira, enviar inúmeras mensagens por minuto e pensar em possíveis tragédias horrendas pode parecer algo exagerado, mas quem sofre de ansiedade vai me entender.


Quando eu notei que já havia contado todas as novidades possíveis em infinitas mensagens onde eu praticamente descrevia a história da humanidade inteira, nada mais eu podia fazer a não ser esperar. Já que esperar não existe no vocabulário de uma pessoa ansiosa, peguei meu violão e em alguns poucos minutos eu vomitei a música "Volta de Cuba" com melodia e tudo num único áudio de whatsapp.


A Ana Clara me conta que riu bastante e que suas amigas que a acompanhavam na viagem também adoraram. Fiquei feliz, mas não liguei muito para música já que era apenas uma brincadeira momentânea. O fato de eu não ter ligado pra música foi tão real que eu nunca consegui resgatar o áudio original e ele se perdeu no tempo espaço. Acho que o Zuckerberg é o único que pode recuperá-lo, mas não faço acordos com ciborgues. Já era.


Algum tempo se passou e toda vez que eu pegava no violão tocava a música, já que é ridiculamente fácil e grudenta. Toquei algumas vezes em aniversários e eventos familiares e todos sempre riam e curtiam a música. Com aprovação eu vou as alturas!


Quando eu resolvi gravá-la, percebi que não estava registrando somente uma música, mas também, a lembrança de um momento e de uma viagem que representa muito mais do que conto aqui e que jamais será esquecida. É exatamente por isso que eu nunca ousei modificar a letra dessa música, mesmo com muita vontade de adicionar alguns momentos importantes e algumas passagens mais engraçadas (como o fato de Cuba ser uma grande festa junina, já que os turistas precisam uma moeda exclusiva para que possam comprar qualquer coisa, algo muito parecido com adquirir fichas para usar em barraquinhas). Algumas coisas acontecem simplesmente porque acontecem e nossa tarefa as vezes é apenas re-significar momentos que pareciam intocáveis em nossas memórias e extrair dela que há de melhor.


Muitos achavam, por conta do nome, que essa música teria cunho político e que provavelmente eu detonaria algum partido político vermelho. De fato, há algumas passagens políticas, mas nada do que foi escrito tinha algum objetivo se não divertir minha esposa que estava a milhares de quilômetros de distância. Se a música tivesse nascido hoje provavelmente estaria recheada de alfinetas como as que eu inseri na ilustração completa da capa de "Volta de Cuba". Interpretem como quiser!







© 2020 Alexandre Otranto Esquitini.

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ps: faço café