Música - Volta de Cuba

Atualizado: Jun 8








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Volta de Cuba


Você me disse

Pra eu não me preocupar

Que era só um mês e

Não demoraria pra passar


Mas não consigo

Um jeito pra falar

Lá não tem Streaming

Internet ou sinal de celular


Volta de Cuba e vem pra cá

Deixa o charuto pra lá

Sei que o Che não vai gostar

Volta pra gente gastar


Ouvi dizer

Que a saúde é a melhor

Mas ficar sem Hollywood

E videogame é muito pior


Mas não me preocupo

Pois sei que vai mudar

Quando você voltar

Tenho certeza em quem irá votar


Volta de Cuba e vem pra cá

Deixa o charuto pra lá

Sei que o Che não vai gostar

Volta pra gente gastar


Volta pra gente gastar!


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Essa é a música mais improvável que “compus” até agora. As aspas estão ali

porque na absurda realidade essa música não foi composta, mas sim

expelida do fundo do meu cérebro. Minha esposa, Ana Clara, namorada na

época, foi para Cuba estudar o sistema público de saúde e, como já era

previsto, mal conseguíamos nos falar. Pelo que ela relata, era necessário

embarcar numa odisseia melindrosa para conseguir encontrar sinal de

internet para finalmente conversarmos por míseros cinco minutos. Do lado de

cá, do nosso amado Brasil, meu sinal de internet era quase infinito, mas de

nada adiantava as 13.666 mensagens que enviava, porque eu não obteria

respostas tão cedo. Andar de um lado para o outro com suadeira, enviar

inúmeras mensagens por minuto e pensar em possíveis tragédias horrendas

pode parecer algo exagerado, mas quem sofre de ansiedade vai me

entender.


Quando eu notei que já havia contado todas as novidades possíveis em

infinitas mensagens em que eu praticamente descrevia a história da

humanidade inteira, nada mais eu podia fazer a não ser esperar. Já que

esperar não existe no vocabulário de uma pessoa ansiosa, peguei meu violão

e em alguns poucos minutos eu vomitei a música “Volta de Cuba” com

melodia e tudo num único áudio de WhatsApp.


A Ana Clara me conta que riu bastante e que suas amigas que a

acompanhavam na viagem também adoraram. Fiquei feliz, mas não liguei

muito pra música, já que era apenas uma brincadeira momentânea. O fato de


eu não ter ligado pra música foi tão real que eu nunca consegui resgatar o

áudio original e ele se perdeu no tempo-espaço. Acho que o Zuckerberg é o

único que pode recuperá-la, mas não faço acordos com ciborgues. Já era.


Algum tempo se passou. Toda vez que eu pegava no violão, tocava a música,

já que é ridiculamente fácil e grudenta. Toquei algumas vezes em

aniversários e eventos familiares e todos sempre riam e curtiam. Com

aprovação eu vou às alturas!


Quando resolvi gravá-la, percebi que não estava registrando somente uma

música, mas também a lembrança de um momento e de uma viagem que

representa muito mais do que conto aqui e que jamais será esquecida. É

exatamente por isso que eu nunca ousei modificar a letra dessa música,

mesmo com muita vontade de adicionar alguns momentos importantes e

algumas passagens mais engraçadas (como o fato de Cuba ser uma grande

festa junina, já que os turistas precisam de uma moeda exclusiva para que

possam comprar qualquer coisa, algo muito parecido com adquirir fichas para

usar em barraquinhas). Algumas coisas acontecem simplesmente porque

acontecem, e nossa tarefa às vezes é apenas ressignificar momentos que

pareciam intocáveis em nossas memórias, extraindo delas o que há de

melhor.


Muitos achavam, por conta do nome, que essa música teria cunho político e

que provavelmente eu detonaria algum partido político vermelho. De fato, há

algumas passagens políticas, mas nada do que foi escrito tinha algum

objetivo se não divertir minha esposa que estava a milhares de quilômetros

de distância. Se a música tivesse nascido hoje, provavelmente estaria


recheada de alfinetas como as que eu inseri na ilustração completa da capa

de “Volta de Cuba”. Interpretem como quiser!













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